quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Um Homem,

Um Homem Qualquer,

tropeçou.

Tropeçou e caiu.

Supercílio acostamento.

suco de amoras nos olhos não limpou.

Abriu vagarosamente as janelas da alma,

alcançou o futuro,

e não gostou do que viu.

Um Homem,

Homem Qualquer,

Tudo nas mãos e nada,

era um Homem Qualquer.

Decidiu voltar dois segundos e nunca mais tropeçar.


NADA A FAZER

Agora amigo,
Eu toco a vida,
Retoco a alma,
Refaço amigos,
Respiro poeiras,
Rebato palmas,
Retrato a calma e
Encaro de frente
Essa velha estrada...
Nada mais tenho
Em mente.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

MEDO

Ontem resolvi te ligar.

Ouvi tua voz...
Não quis falar.

A coragem faltou,
A voz faltou,
A vida faltou...

O chão faltou,
O mundo faltou,
O tempo faltou...

Só me restou,
A covarde armadura
Do anonimato.

Perdi você.

Tony Borba.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

MEU DOCE

Ela partiu...

Não tive coragem
De reagir...

Sem desistir,
Sem persistir,
Sem meu amor
Carta marcada,
Sentido errado de dor.

Na despedida,
A partida ficou,
Atrás,
Sonhei com côco,
Saudade,
Doce de leite,
Felicidade,
Sorvete,
Necessidade,
De flor,
De amor...

Doce amor.

Tony Borba

domingo, 7 de outubro de 2007

PASSADO

O livro que ganhei falava de vida,
de sonhos,
de pessoas que amei.

Não conheço o autor,
não pertenço à história,
mas tudo que li,
refrescou-me a memória.

Tocou fundo na alma,
elevou meu espírito,
carregou-me de paz,
de romance comum,
que todos vivemos.

Beijos que dei e roubei,
com os devidos consentimentos.

As molecagens no rio e as ladeiras da velha cidade...

O livro que ganhei falava de histórias comuns...
O livro da minha vida.

Tony Borba

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Samborragia fake!

Não iria surrupiar seus carcomidos livros velhos
Não iria.
Não iria ordenar blindar seus mistérios,
Não iria.
Não iria povoar tuas esquinas de tédio,
Não iria
Nem iria fazer pilhérias com teu descrédito
Não iria.

Não te jogaria os castiçais descoloridos,
Não faria
Não desmontaria suas teses fantásticas,
Não faria
Não te maltrataria os joelhos doloridos
Não faria,
De agüentar suas permeias sarcásticas
Não faria.

Não te mal diria entre os teus.
Não diria,
Nem diria teu descaso entre os meus,
Não diria
Não diria minhas, tuas manias de Orfeu,
Não diria,
Nem desfaleceria nos braços de Morfeu.
Nem
Des
fa
le
ce
ria

Mas fui, fiz, disse e desfaleci. Que farás?

Erik Liver

domingo, 9 de setembro de 2007

Domingo inventado

O Sol chegou, mas não avisou
Fica só por ali espiando os acontecimentos
Nem vai nem vem
Parece pedra, vai ficar por ali, não se sabe até quando.

Hoje terá mais um domingo daqueles
Cheios de nada demais
Um dia manso, bem alheio
Sem contornos de tribunais.

Chama Tony, Renato, outros poetas da cena local,
E os agrega, todos, em sua mesa sempre fictícia
Um deles suspira e filosofa (No domingo à tarde, existe algo de expulsão do paraíso, véspera de cumprimento de sentença, arquitetura de adeus)
O outro levanta, bate palmas e pede mais uma cerveja.

Vão ficar por ali até não se sabe quando...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

RITUAL

Em minha cabeça,
Aquela seria a última vez.
Preparei tudo,
Como de costume.
Você foi pontual,
Como de costume.
Trocamos olhares,
Como de costume,
Uma conversa rápida, banal,
Como de costume.
Nessas horas, quem se preocupa
Com coisas importantes?
Já os toques, os beijos, os abraços,
Esses não foram,
Como de costume.
Havia algo a mais.
Algo assim
E assim te amei como se fosse a última vez.
Como de costume.

Tony Borba

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

DESCARTÁVEIS

Não posso procurar desculpa
Nem cessar a busca
Nem pensar assim

Não posso recobrar a luta
Sem passar a culpa
Sem calar em mim

Não posso repousar a sorte
Nem falar na morte
Nem chegar ao fim

Pronto... Acabou...

Tony Borba

NECESSIDADE

Antes de ser tudo em fim
A mesma dor dilacerante
Assim cravada em mim
No peito
Eu deito em colo brando
A febre em mente calma
E sinto um cheiro renascente
Vindo das entranhas
Partes
Tudo que eu sempre quis
Amar e ser banhado
Ao lado dessa arte
Partes
Do que eu não tenho
E venho sempre aqui
Deitar em colo santo
A calma que não mente
O cheiro dessa febre
Em peito que não quer mentir
E nem medir as conseqüências
Do meu auto-imploro
Do meu resistir.

Tony Borba