segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Samborragia fake!

Não iria surrupiar seus carcomidos livros velhos
Não iria.
Não iria ordenar blindar seus mistérios,
Não iria.
Não iria povoar tuas esquinas de tédio,
Não iria
Nem iria fazer pilhérias com teu descrédito
Não iria.

Não te jogaria os castiçais descoloridos,
Não faria
Não desmontaria suas teses fantásticas,
Não faria
Não te maltrataria os joelhos doloridos
Não faria,
De agüentar suas permeias sarcásticas
Não faria.

Não te mal diria entre os teus.
Não diria,
Nem diria teu descaso entre os meus,
Não diria
Não diria minhas, tuas manias de Orfeu,
Não diria,
Nem desfaleceria nos braços de Morfeu.
Nem
Des
fa
le
ce
ria

Mas fui, fiz, disse e desfaleci. Que farás?

Erik Liver

domingo, 9 de setembro de 2007

Domingo inventado

O Sol chegou, mas não avisou
Fica só por ali espiando os acontecimentos
Nem vai nem vem
Parece pedra, vai ficar por ali, não se sabe até quando.

Hoje terá mais um domingo daqueles
Cheios de nada demais
Um dia manso, bem alheio
Sem contornos de tribunais.

Chama Tony, Renato, outros poetas da cena local,
E os agrega, todos, em sua mesa sempre fictícia
Um deles suspira e filosofa (No domingo à tarde, existe algo de expulsão do paraíso, véspera de cumprimento de sentença, arquitetura de adeus)
O outro levanta, bate palmas e pede mais uma cerveja.

Vão ficar por ali até não se sabe quando...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

RITUAL

Em minha cabeça,
Aquela seria a última vez.
Preparei tudo,
Como de costume.
Você foi pontual,
Como de costume.
Trocamos olhares,
Como de costume,
Uma conversa rápida, banal,
Como de costume.
Nessas horas, quem se preocupa
Com coisas importantes?
Já os toques, os beijos, os abraços,
Esses não foram,
Como de costume.
Havia algo a mais.
Algo assim
E assim te amei como se fosse a última vez.
Como de costume.

Tony Borba

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

DESCARTÁVEIS

Não posso procurar desculpa
Nem cessar a busca
Nem pensar assim

Não posso recobrar a luta
Sem passar a culpa
Sem calar em mim

Não posso repousar a sorte
Nem falar na morte
Nem chegar ao fim

Pronto... Acabou...

Tony Borba

NECESSIDADE

Antes de ser tudo em fim
A mesma dor dilacerante
Assim cravada em mim
No peito
Eu deito em colo brando
A febre em mente calma
E sinto um cheiro renascente
Vindo das entranhas
Partes
Tudo que eu sempre quis
Amar e ser banhado
Ao lado dessa arte
Partes
Do que eu não tenho
E venho sempre aqui
Deitar em colo santo
A calma que não mente
O cheiro dessa febre
Em peito que não quer mentir
E nem medir as conseqüências
Do meu auto-imploro
Do meu resistir.

Tony Borba

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Desconcêntricos!

Fomos cosmogonias,
Encontro de um astro vagante,
Extravagante
No louvor do céu,
Encontrou tuas manias.

Foi planeta que tornaste.
Eu, tua lua,
Tu aos luares, em flor nua,
Suados, Surdos aos sons dos ares.

Fomos aurora boreal,
Ou austral,
Do magnetismo que nos atraiu,
Os pólos derreteram,
De magnitude, calor, descomunal

A gravidade que nós uniu,
É, agora, gravidade nos desuniu.
Órbitas desconcêntricas, Kepler não viu,
em segundos milenares, TUDO ECLODIU.

Quero ver(ter)-te, Agora,
Anos-luz distante dos meus nojos em tons anil.
Que nossa Via Láctea
Já é leite derramado,
No vórtex que nos engoliu.

Salta aos olhos tuas lamúrias biônicas,
Que nem velhas, nem super-novas
Nem explodem em mim, nem em ti,
São bombas atônitas

Somos qualquer coisa,
como um resto do Halley
que fica só na lembrança, intangível,
só aos devaneios da imaginação.
Somos coisa nenhuma.

Perseguirei, ainda, os sonhos que abandonaste.
Pois, quero que alguém encontres
Em minha estrela de cadência.
Ou em Deimos,
Se tiver impulso
Como tinha
Na adolescência.

domingo, 12 de agosto de 2007

SOB PRESSÃO

Tenho dez minutos
Pra te dizer o que sinto.
Se falar a verdade não serei compreendido.
Se mentir, talvez funcione por enquanto...
Pelo menos ganho algum tempo...
E depois?
Perdi dois minutos calado, pensando.
Preciso perder mesmo é o medo.
Tenho oito minutos
Pra tomar a maior decisão da minha vida,
E não permitir sua partida.
Mas ainda não sei o que dizer...
Seu olhar impassível me preocupa,
Me faz pensar se minha decisão tem algum peso...
Será que ainda resta esperança?
Tenho cinco minutos
Pra dizer tudo que já deveria ter dito a vida inteira.
Palavras que viriam facilmente em outros momentos,
Mas que agora fogem, me deixando desesperado.
Tenho dois minutos
Pra provar que meu amor é certo, real, intransferível.
Pra ver você sorrir, me abraçar,
Mostrar que ainda tenho chance.
Tenho um minuto
Pra mostrar que estou arrependido...
Que ainda te quero...
Que dessa vez não vou desperdiçar a ultima chance...
Nos poucos segundos que me restam,
Só uma palavra resume tudo...
– Me desculpe...

Tony Borba

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

ERA UM DESEJO

Sentindo o vento tocar meu corpo
Enquanto eu penso, o tempo escorre.
Levanto os olhos e miro a sorte
Me deito com a vida e sinto um pouco,
A paz que eu quero e mereço
Depois das batalhas vencidas.
Um dia apenas é o que peço
A todas as forças invisíveis,
Regar uma planta, fazer amor,
Tramar sem pudor, no calor da paixão,
Esperando sonhar e ser feliz.

Tony Borba

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Vanity fair!

Não foi nesta passagem que descobri exatamente todos os seus segredos. Que de secretos guardam apenas este título pueril. Mas confesso foi neste exato momento que descobri o que você não é: um mínimo vaidosa, um mínimo dama. Uma mulher sem vaidade é como um rio sem pontes. A mulher deve exercê-la como maneira de vida. E Vaidade não é a quantidade de cremes noturnos que tornam este teu rosto tão macio e firme. Vaidade é uma técnica, um estilo, uma consciência de como estar presente na sociedade. É a maneira de chegar em alguns ambientes, de como cumprimentar as pessoas presentes e, também, como deixá-lo. Quando uma mulher vaidosa se ausenta de um ambiente, o seu corpo todo vai embora, mas sua graça fica bailando pelos ares e pelas cabeças dos mais atentos. A vaidade desta mulher que se deixa – e ela sabe muito bem de tudo isso – vai ser lembrada nas cabeças dos que a viram nas próximas sessenta e três vezes que fecharem os olhos. A graça da mulher vaidosa fica rondando teimosamente as mentes nem de perto ilibadas dos homens que tiveram a intangível chance de observá-la. Quando ela vai embora, com toda sua purpurina e harmonia de movimentos dançantes, deixa nos homens a impressão de que ela sabe de tudo isso. E sabe. Sabe e faz intencionalmente. É esta a graça da mulher vaidosa. Chega sem alvoroços, causa alvoroços e carros alegóricos de blocos de carnaval nos peitos dos homens, e vai embora sem alvoroço. E vou ainda além, uma mulher, independente da firmeza do corpo que guarde, é a quantidade de representações que consegue gerar na cabeça de um homem.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Loft

Vocência Enganadora!

Sem intenção alguma de te encerrar,
Esqueço quase intencionalmente,
Um pedaço do meu eclipse
Na tua mesa feita toda de fim de mundo.

Penduro (S)eu vestido de azul da cor do céu,
E minhas cumbucas de ultimo ar respirável
No teu armário de clichês,
Onde guardas maquiagens caras, restos de tambéns, e malabares dos nossos bares

Sem intenção nenhuma de te encerrar,
Colecionei e organizei por gêneros tuas crises de intocabilidade.
Te comprei uma maçaneta de novidades
E você deveria injetá-la sem piedades.

Subloqueite meu loft de prantos,
E você usou para contar falábulas flácidas aos seus comparsas
Ou na receita de sentimentos vãos que maculou.

Há sempre uma chance de te abrir de qualquer jeito,
Era o que eu pensava
Pena que já te encontrei encerrada